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Cilada 2 – Romeira por um dia
Repórter Romeira por um dia
Sabe aquela velha história de que quem não tem mais o que fazer resolve arranjar sarna pra se coçar? Pois é, mais pura verdade, e algumas vezes ainda envolve outras pessoas na furada, lindo isso.
Explicá-los-ei a parada, seguinte, ano passado, minha santa e querida mãezinha (tá vendo mãe, como eu falo bem de ti? - o Gabriel foi falar pra ela do blog e agora ela quer ver ¬¬) resolveu entrar numa jornada para dentro de si mesma e ir a uma viagem espiritual juntamente com minha tia, ao santuário de Aparecida, olha que lindo, olha que bonito, olha que nobre, dei o maior apoio, disse “vai lá mãe, bonito isso, ir lá rezar e tal, orgulho de você, reza por mim aí”.
Lá foi ela na peregrinação lá, rezou, rezou, rezou e voltou (mamãe se amarra em rezar, nunca vi tanto prazer nisso, é bonito, mas pra mim não muito aplicável), mãaas, não contava eu com a astúcia de mamãe. Entro eu no avião indo pra São Paulo, assim que ele levanta vôo (parece que ela esperou o momento certo), e eis que minha mãe olha pra mim e solta: “Ah minha filha, nem te conto, na sexta a gente vai pra aparecida tá!?”.
"Para essa porra que eu quero desceeer!"
Como assim ninguém me avisa, esperaram o avião levantar vôo pra me comunicar isso? Que puta falta de sacanagem!
CI-LA-DA, na mais pura essência da palavra!
Gente, só pra salientar, eu sou católica ok? Acredito em Deus e tal, só não rezo com muita freqüência e assumo, não tenho muita paciência pra ir a missas, acho que existem outras formas de demonstrar nossa religiosidade além de rezar terços e mais terços e ir a milhões de missas, acho que a gente expressa isso através de atitudes na nossa própria vida, no nosso dia a dia. Mãas, minha mãe curte, então deixa ela né, quem sabe quando eu tiver a idade dela, aja da mesma forma, vai saber né.
Resumindo, mamãe quando foi lá ano passado fez uma promessa (sabe Deus pra quê *com o perdão do trocadilho heheh), de que ela iria voltar lá esse ano. Até aí tudo muito bom, até aí tudo muito bem, mas querer levar a mim e o Gabriel de gaiatos na promessa, aí não dá né. Mas como já citei nos posts anteriores, o mestre mandou, lá fomos nós, suuuper felizes e empolgados. #NOT
nossa cara de disposição
Primeiro, acordar 6AM (tá, tratando-se de uma viagem com minha mãe, isso não é muita novidade, já estávamos até meio que acostumados, todos os dias esse era o horário no qual éramos acordados, pra podermos tomar o café da manhã do hotel – pra ela o café da manhã que era servido até as 10h, tinha que ser tomado por nós às 6h, que era a hora que abria, pq era mais legal, êê ¬¬ - e “aproveitar o dia” – que porra de aproveitar o dia, eu só queria dormir!), nos entupir de café da manhã do hotel, esperar o táxi, enfrentar uma viagem do cão agradabilíssima de 2:30h com um taxista bizarro até Aparecida.
É isso aí Marginal Tietê, assim que eu goosto #NOT
Ah, vale abrir um parêntese aqui para esse taxista da vez. Seguinte, a minha mãe morre de medo de ficar pegando taxis aleatórios pela rua, então nas cidades que ela vai com mais freqüência (SP e RJ), minha mãe já tem um motorista de confiança, que fica pra cima e pra baixo a levando pra todos os lugares. Beleza, precavido e sensato da parte dela não é? É, seria, se esse motorista dela de SP não fosse BIZARRO, ele já é motorista dela há um tempo, é motorista de uma galera de Manaus que vai pra lá aliás, ele bizarramente conhece até as ruas e endereços da cidade sem nunca ter estado aqui, mas como faz muito tempo que eu não vou a SP com ela, não o conhecia. Chego no aeroporto, ela diz: “Olha, o Joãozinho (vamos preservar o nome do coitado), está nos esperando, mas Kamyle, vou logo avisando, ele é meio ‘afetuoso’, mas é gente fina, confiável, só é meio grudento, mas nada excessivo.” Ok, isso já me deixou meio cabreira né, mas tudo bem, não vamos pré-julgá-lo né, coitado.

Minha cara de cabreira
Eis que desembarcamos e lá está Joãozinho, ele corre em nossa direção, e grita “Dona Tâniaaa!!” (O nome da mamãe eu não preservo não Muahah), ao invés de cumprimentá-la sei lá, com um aperto de mão ou um beijinho no rosto, não, ele a abraça, e dá um “cheiro” no cangote, fiquei uns 10 segundos parada olhando e pensando: “Que negócio é esse? Esse cara tá dando em cima da minha mãe? Olha o respeito aí rapá.” – esse foi meu momento macho alfa.
Pq se for pra eu ser um macho alfa, quero ser pelo menos um macho alfa com sex appeal né
Mas essa suspeita caiu rapidamente por terra quando ele repetiu a operação com meu irmão, chamando-o de “bielzinho”. Como assim cara? Nem eu tenho essas intimidades com meu irmão, o chamo de Gabriel e ponto final. Ou ele estava dando em cima da minha mãe e do meu irmão ou ele era um baiano disfarçado de paulista né, preferi acreditar na segunda hipótese, que no decorrer da viagem ficou cada vez mais convincente aliás.
Joãozinho espiritualmente
E eis que ele terminou esse “ritual de boas vindas” com minha mãe e meu irmão e veio em minha direção: “Kamyle né?” – sorrindo exageradamente.
Pan pan pan pan pan pan
Senti a mesma sensação que eu sinto quando minha avó Adélia vem me abraçar (ela tem algum tipo de crença de que abraçar seu neto com a maior força possível existente em seus músculos, esmagando os pulmões do mesmo, vai fazer a saudade passar instantaneamente, sério fico uns 2 minutos sem ar depois que ela conclui essa operação, é fofo da parte dela, porém perigoso oO). Fiquei uns dois segundos sem ação, e então com a minha sagacidade única, estendi a mão pra ele, pensando “ah, ele vai se tocar que eu não curto contatos físicos e dar aquele aperto de mão legal”. FAIL.
Meu sorriso estava tão sincero quanto o dessa nossa presidente eleita
Ele simplesmente ignorou minha mão estendida e repetiu a mesma operação comigo, não escapei do “cheiro”, senhor, mas que coisa mais bizarra.
Beleza, depois de ter me sentido estuprada cangotecamente (ok, essa palavra não existe, mas era pra significar que eu recebi um cheiro no cangote contra vontade, valeu a intenção), fomos ao hotel e de boa, mais nenhuma bizarrice da parte dele, ele ficava falando da mulher e dos filhos o tempo todo, o que me deixou até bem mais tranquila, a minha suspeita de ele ser algum tipo de maníaco por pescoços foi se eliminando gradativamente.
Ok, aonde estávamos?
Sim, então, indo pra aparecida com o taxista bizarro... Então, chegamos lá, geeente, que lugar grande, mas pensem em um lugar gigantesco, tipo Vaticano style, sério, até os pombos assassinos tinha (odeio pombos com toda a força da minha alma), era tão grande, mas tão grande que a cidade era basicamente construída ao redor da basílica e do seu complexo gigantesco, e os carros não tinham acesso a ele, logo, o motorista nos deixou há uns 438764km da basílica, marcou de nos buscar 2:30h depois e pronto (acreditem, fomos lá só pra assistir a missa e voltar, CINCO horas de carro só pra ver uma missa).
de boa, lá ainda é beem maior, só que eu não consegui nenhuma foto que mostrasse tudo, mas essa parte aí do telhadinho, tem no mínimo o dobro desse tamanho que aparece aí, e só os carros do pessoal que trabalha lá que entram
Ok, normal, isso se não tivéssemos que caminhar desesperadamente por ali, sério, era tudo muuito longe, e o complexo ao redor da basílica era um “shopping de Deus” basicamente, de boa, não acho nem um pouco legal explorar a fé das pessoas dessa forma, tá que a economia da cidade vive disso e tal, e eu como uma tentativa de economista num futuro próximo devo entender isso, mas sei lá, é como se fosse uma “25 de março” só com artigos religiosos, e os devotos compram pra caramba, uma lembrancinha e tal tudo bem, mas ali já era exagero. Gente, vendiam até cruzeiro com a Santa. Tipo, como assim? A santa ia junto né, se afundasse, bye bye santa.
Beleza, fomos comprar uns tercinhos lá pra mamãe mandar benzer e dar de presente, quando eu vejo umas paradas gigantes, tipo uns “bambus”, juro, com o tamanho colado, tipo “1,70m”, “1,90m”, eu fiquei olhando e pensando: “Que negócio é esse?”.
Aí a mamãe vem dizer: “ah minha filha, isso é vela, é pq aqui em aparecida, se acende a vela do tamanho da pessoa”
Eu comecei a rir e disse: “Credo, e quem compra isso?”
Eis então que ela com um sorrisinho sacana retruca: “A gente! Moça me vê três dessas velas aí que a gente vai acender, meninos, peguem as do tamanho de vocês”
Oo
Gente, que bizarro, a gente escrevia nosso nome completo na vela, e acendia lá no santuário ou sabe lá o nome daquilo, era muuuuita vela assim, todo mundo realmente acendia, é tipo a moda de aparecida, uma vela do seu tamanho, uhuul, que revolucionário, e eu achando que a que eu acendi pra Santo Antônio na Basílica dele em Pádua era grande, que eu tinha dado A puxada de saco no santo, que ingênua eu fui...
sério, eu achava esse vela muito grande
Nada, se eu tivesse levado uma de 1,70m, duvido se ele não tinha me atendido rapidinho.
Essa siim!
Gente, pra mim isso não é uma vela, é uma vara de pescar!
Já sabe galera, essa é a onda!
E o pior é que agora eu nem sei se vai funcionar ou não, pq eu ultimamente ando com umas ondas de não saber o que pedir, acho que isso é um bom sinal né? Significa que minha vida está boa, graças a Deus, então na pressão do momento eu só agradeci mesmo... oO
Então, carreguei aquela vela, andando, andando, andando, até chegar lá no negócio, depois ainda fiquei com o Gabriel passeando enquanto a mamãe rezava o terço, até que enfim começou a missa (lá tem missa de hora em hora, assistimos a do meio dia, uma beleeza, todo mundo com aquela cara de foome, que não tinha almoçado ainda)

Muito bonita a missa e tal, mas o melhor é a “bênção” do final, o padre já “macaco velho”, sabendo que a galera morreu de comprar lá no “shoppingzinho da santa”, muito prático pra não ter que benzer de um por um (imagina, ele reza missas de hora em hora, todas lotadas de gente com coisa pra benzer, coitado né), ele já diz: “Hora da bênção, quem tiver algo para benzer, por favor levante o objeto que será abençoado”, aí todo mundo levantando fotos de familiares, a mamãe levantando os terços que ela tinha comprado, eu não levantando nada, pq a minha vela eu já tinha acendido, aí me vem o Gabriel, puxa a carteira do bolso, me cutuca, dá aquela piscadinha e diz: “vou abençoar é a minha carteira”, e levanta com tudo correndo lá pra frente. Ok, eu tendo crises de riso da “praticidade” do Gabriel no meio da missa, não foi algo muito legal, a partir daí, nada demais, só aquele “banho” de praxe de água benta e pronto, saí de lá com o cabelo digno de um dilúvio bíblico, de tão encharcado.

Noé feelings
Isso como se não bastasse o almoço, caara, sério, eu não imaginava que fosse tão assim, era taanto romeiro, mas taanta gente, que não tinha lugar na praça de alimentação pra almoçar, e tinham uns pombos tomando conta do lugar, uma parada tensa, comemos no Mc Donald's por ser o único lugar "confiável" pra comer e mesmo assim pq estávamos quase desmaiando de fome, ainda mais depois de toda aquela peregrinação, tudo era ladeira naquele negócio, nunca vi.
Veneza feelings
Gente, sério, até hoje, se falarem de veneza pra mim, a primeira imagem que eu tenho é essa, só que a atacada pelos pombos era eu, traumatizei. Eca, que nojo!
E o pior, eu morta de me queixar de ir andando aquilo tudo, aí quando olhava pro lado, tinha uma galera fazendo o mesmo percurso que eu, só que de JOELHOS.
Geente, era uma passarela enoorme, gigantesca, depois umas ladeiras gigantes, e aquele sol de meio dia, e a galera lá, de joelhos e com o terço na mão, de boa, queria ter essa fé... ou não, sei lá. oO
Sério, tem gente que anda essa passarela inteeira de JOELHOS
Ok, o show do Paul fica pra amanhã, cansei de escrever =x hahaahh
Beijos me liga,